Memes: ideias que se replicam de cérebro para cérebro como um vírus

A teoria dos memes baseada no evolucionismo de Darwin encontrou na psicóloga Susan Blackmora um novo argumento: a existência de temes. Trata-se da transmissão de memes por via tecnológica cujo impacto pode trazer graves consequências para a humanidade.

Cotidiano
7 meses atrás
Memes: ideias que se replicam de cérebro para cérebro como um vírus

Os memes e os temes

A psicóloga Susan Blackmore em explicou em um TED que a humanidade criou uma nova forma de vírus que se espalha de cérebro para cérebro através da tecnologia: os temes.

Este conceito de temes é decorrente da noção de memes criada pelo zoólogo Richard Dwakins, para explicar como as ideias da mente humana são consequências da evolução pela seleção natural.

Assim como os genes transmitem por um sistema de imitação todas as características fisiológicas para o corpo, os memes são os responsáveis por todas as escolhas da mente na vida.

Esta teoria memética já é objeto de estudo científico e a psicóloga Blackmore explicitou o novo conceito de temes para mostrar o impacto desta nova fase da evolução cultural, que pode significar para a humanidade uma espécie de caixa de Pandora sem volta atrás.

Conceitos básicos de memes

Para entender a importância dos temes para a mente humana é preciso esclarecer algumas noções básicas dos memes.

Blackmore recorda que o conceito de memes explica que as ideias não são frutos da escolha da nossa vontade, mas tem origem em um processo de reprodução similar ao do material genético.

Todas as nossas ideias ou a cultura em geral são formadas por imitação ou como um contágio de um vírus, onde a sobrevivência depende da cópia da informação de pessoa para pessoa.

Esta visão mais abarcativa da teoria evolucionista de Charles Darwin pretende explicar sob o mesmo princípio não apenas a formação da vida biológica e sim toda sociologia e cosmologia.

Seleção natural dos memes

Quando vemos um homem portando um óculo elegante, por exemplo, pode se dizer ser um meme por se tratar de uma ideia copiada de alguém. Não foi ele quem inventou este modo de ser e nem mesmo quem escolheu ser assim.

Todas as representações mentais ou tudo aquilo que é transmitido socialmente são memes, que seguem um desígnio expansivo da informação que a mente humana serve como plataforma.

Nesta luta pela seleção natural os memes buscam criar cópias de si mesmo para sobreviverem se reproduzindo em outras mentes. Os que não conseguem encontrar outro cérebro são descartados.

As próprias conferências do TED – que a sigla define como ideias que merecem ser disseminadas – são em realidade uma fábrica de memes, onde pessoas transmitem ideias que serão copiadas.

A máquina de memes

Para Blackmore o cérebro humano é uma máquina de memes por ser a única raça capaz de imitação de ideias. Aliás, daí a razão do nome de seu livro em debate: “The Meme Machine”.

Com efeito, o gênero humano é um veículo transitório de transmissões de memes e alguns deles acabam se tornando em epidemias culturais.

A evolução dos temes

Com o advento da tecnologia, Blackmore constatou uma nova evolução que a chamou de tecnomemes ou temes.

A diferença está que antes se armazenava os memes com a escrita na pedra ou em livros, tudo feito com a cooperação humana, e atualmente são as máquinas que comandam todo o processo.

Os temes são uma nova forma de fazer memes, mas que não obedecem às mesmas regras da mente humana e seguem outro padrão para se manterem vivos.

O risco da replicação de temes

O perigo que Blackmore alerta é que nossa própria forma de pensar está sendo condicionadas pelos temes.

Acontece que, ao contrário dos memes, os temes são replicadores egoístas que não se importam com a humanidade e nem com o planeta.

Não há dúvida que a internet, por exemplo, revolucionou completamente a forma de transmissão de informação.

Por outro lado, a psicóloga está querendo demonstrar que a internet está transformando a mente humana em uma máquina de fabricar temes.

Onde vamos chegar se tornando em replicadores de temes? Eis a questão. Se não avaliarmos as consequências desta dependência tecnológica corremos o risco de causar danos irreversíveis para nossa existência.

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