Linguagem e comportamento: como as palavras que escolhemos significam muito mais do que percebemos

Steven Pinker apresentou em seu livro “Do que é feito o pensamento” como que a linguagem expressa o que vemos da realidade e dita as regras dos nossos relacionamentos.

Educação
2 meses atrás
Linguagem e comportamento: como as palavras que escolhemos significam muito mais do que percebemos

Steven Pinker, especialista em linguagem humana

Steven Pinker é professor de ciência cognitiva que se dedica a pesquisas como que a linguagem expressa o que acontece na mente humana.

De acordo com Pinker, a linguagem é uma criação coletiva dos homens, que reflete nossa natureza no modo de estabelecer os conceitos da realidade e de interagimos mutuamente.

A língua francesa pela Academia Francesa de Letras

Em uma prévia do seu livro “Do que é feito o pensamento”, o autor comenta como o traje de gala do decano da Academia Francesa de Letras Maurice Druon, avaliado em 68 mil dólares, representa sua função de legislar sobre a língua francesa.

A Academia Francesa é responsável por duas funções importantes: organizar o dicionário oficial de francês e estabelecer as regras sobre o uso correto de língua, tais como:

  • Email – courriel
  • World Wide Web – la toule d´araignée mondiale (a teia de aranha global)

A linguagem de uso corrente

Embora os próprios franceses ignorem essas recomendações, este é um modo da linguagem ser expressa.

Por outro lado, a linguagem também surge da interação entre os humanos, como é correntemente observado no uso de gírias e jargões.

Com efeito, o dicionário sempre está desatualizado com o decorrer dos anos e as mudanças históricas.

A linguagem pode ser entendida como uma janela para a natureza humana conceitualizar o mundo e se relacionar.

A influência do verbo nas ideias

Um problema técnico que Pinker observou na linguagem é no uso do verbo dentro da construção de uma ideia.

O verbo intransitivo, por exemplo, não aceita objeto direto (fulano de tal jantou). Já o verbo transitivo obriga o uso do objeto (fulano de tal devorou a pizza).

Deste modo, a regra para programar um computador, para ensinar a língua correta a um adulto ou para crianças aprenderem uma língua, depende da colocação do verbo na construção da frase.

A ilusão do jogo verbal

O resultado deste jogo verbal é a completa mudança de sentido quando dizemos: “prometa qualquer coisa a ela” e “prometa a ela qualquer coisa”.

Pinker acredita que na linguagem ocorre uma espécie de ilusão de ótica de quando prestamos atenção em um detalhe de um objeto e esquecemos o resto. Tudo vai depender da interpretação dada.

É verdade que nem todas as frases permitem inversões. Você pode falar “fulano de tal dirigiu o carro para Londres”, mas não pode “fulano de tal dirigiu Londres para o carro”.

Suborno indireto

Outra forma da complexidade da linguagem se manifestar é nos relacionamentos sociais com base na fala indireta.

Uma cena do filme Fargo representa bem a questão: o sequestrador que está de carro é parado pelo policial que solicita sua carteira de motorista, sendo que o primeiro apresenta a mesma junto com uma nota de cinquenta dólares.

A frase em seguida do sequestrador é um caso típico de suborno velado: “eu estava pensando que talvez nós pudéssemos resolver isso aqui em Fargo”.

Linguagem indireta com sentido claro

Em realidade, a linguagem humana é abundante de fala indireta, mesmo se tratando de comentários feitos com muita educação.

Por mais que as palavras não expressem o sentido direto todos conseguem entender a intenção de que está subjacente.

A ameaça velada pode estar até escondida em um elogio: “Loja legal que você tem aí. Seria horrível se alguma coisa acontecesse a ela”.

Tudo isso leva nos questionar o porquê os homens se deixam subornar tão facilmente e frequentemente.

O curioso é que ninguém é enganado, pois ambas as partes sabem perfeitamente sobre o que se está falando.

Para Pinker esta é mais uma amostra de como a linguagem humana é um modo de negociarmos os mais variados tipos de relacionamentos e se torna uma janela para compreendermos a nossa natureza.

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