Inteligência emocional: por que não somos mais misericordiosos por mais tempo?

A compaixão e a empatia são sentimentos que brotam de nós naturalmente, mas que no mundo moderno cada vez mais são postos de lado. O psicólogo Daniel Goleman explica a razão de nossa indiferença face aos problemas dos outros.

Vida e Saúde
2 meses atrás
Inteligência emocional: por que não somos mais misericordiosos por mais tempo?

O problema da falta de compaixão

O psicólogo Daniel Goleman em seu livro “Inteligência Emocional” traz um problema que afeta a humanidade tanto a nível global como individual: por que não somos mais misericordiosos por mais tempo?

O estudo do escritor nos ajuda a entender e melhorar nossa atitude diante do sofrimento do próximo, ao mesmo tempo em que mostra as razões que leva a sermos indiferentes em querer ajudar.

Pesquisa prática sobre compaixão

Para explicar como devemos lidar com o estado emocional da compaixão Goleman apresentou em um TED em 2007 um importante estudo do seminário Teológico de Princeton.

A pesquisa dos seminaristas se dividiu em dois grupos para analisar as razões do comportamento humano que leva em determinados momentos querer ajudar e em outros não.

Metade do grupo de seminaristas foi instruída a praticar um sermão sobre a parábola do Bom Samaritano e os outros receberam temas bíblicos diversos para a pregação.

Foco em si ou nos outros

Acontece que durante o trajeto dos seminaristas para o local do sermão foi colocado um homem reclinado e gemendo de dor.

O resultado da experiência é que não houve diferença da temática sobre os que pararam para prestar socorro e os que foram indiferentes.

Os pontos decisivos da escolha incidiram sobre os níveis de pressa e de absorção da tarefa incumbida que cada um se impôs.

Resistência à empatia natural

Com efeito, Goleman explica que os mesmos problemas se colocam em nossas vidas nas oportunidades que aparecem para ajudar os outros.

Em vez de sermos sensíveis as necessidades alheias que estão em nosso caminho, desviamos nossa mente para outra direção que estamos focados.

Em realidade fazemos um esforço em sentido contrário, pois a neurociência social revela que a mente humana tem neurônios-espelho que produzem uma empatia imediata ao se deparar com o sofrimento de outra pessoa.

O bem estar de ajudar o próximo

Esta recusa ao próprio estímulo interior de empatia e compaixão é devido ao grau de egocentrismo que leva fechar os olhos diante das dificuldades dos outros e se concentrar em nós mesmos.

O próprio Goleman confessa que já chegou a se pegar em uma atitude narcisista ao se auto engrandecer por ter contribuindo com doações para entidades como a Fundação Seva.

Mas ao pensar no efeito das doações sobre as pessoas que sofrem de cataratas no Himalaia encontrou a verdade felicidade altruísta com o bem do próximo.

Amor recíproco

A compaixão nasce então em não concentrar o nosso foco em apenas nós e nos abrirmos para as dificuldades dos outros. Algo que exige uma vigilância para vencer a tendência inerente de fecharmos em nossas próprias pessoas.

Mesmo em namoros é preciso tomar o cuidado de não criar uma relação egocêntrica, onde o parceiro se torna um instrumento para atender apenas aos meus interesses.

Goleman cita o exemplo de um jovem que tinha dificuldade em marcar em encontros e não conseguiu nem mesmo em um speed dating. A razão é que ele só sabia falar de si mesmo.

Por outro lado, um caso de relacionamento de sucesso foi de Alice Charney Epstein que selecionou seu marido através de um teste, onde calculava quanto tempo o homem levava para fazer uma pergunta sobre ela.

O perigo do egocentrismo

O artigo “O Momento Humano” da Harvard Business Review, por exemplo, trata de como realizar contato em um ambiente de trabalho.

A regra é bem simples: desligue de todos os aparelhos em volta e concentre sua atenção na pessoa que está à sua frente.

À primeira vista pode parecer uma regra muito básica, mas o relacionamento humano perdeu de tal maneira o sentido que na língua inglesa já surgiu uma palavra para designar uma pessoa que está completamente absorta no celular: pizzled.

O perigo do extremo deste desligamento social é mostrado por Goleman em um caso de um serial killer, que para explicar como não sentiu remorso em estrangular suas vítimas – inclusive parentes – justificou que desligou essa parte da sua mente.

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