Falando em elementos básicos direto do Laboratório de Mídia do MIT, onde tudo é terrivelmente complexo

Quem contempla as obras de arte do design John Maeda pode pensar que tudo é complexo. Em realidade, o artista é um gênio da simplicidade que busca humanizar as novas tecnologias.

Cotidiano
5 meses atrás
Falando em elementos básicos direto do Laboratório de Mídia do MIT, onde tudo é terrivelmente complexo

Um designer fora dos padrões

John Maeda é um especialista da simplicidade e diretor da Rhode Island School of Design. Suas descobertas o colocaram entre os pensadores mais importantes do século 21 pela Revista Esquire.

Em sua fase formação, Maeda teve influência de diversos designers de sucesso, tais como Muriel Cooper que revolucionou a visão sobre os computadores, Paul Rand criador de diversos logo como da IBM e Ikko Tanaka criador da maioria dos ícones do Japão como da Muji.

Tecnólogo humanista

Enquanto estudava no Laboratório de Mídia de MIT (Massachussetts Institute of Technology), Maeda descobriu o verdadeiro papel da sua função é ser um tecnólogo humanista.

A diferença está em que o tecnólogo busca o progresso através de sua capacidade de criar novas tecnologias, mas a tecnologia pode se humanizar se a base da criação for movida pela importância mais do que pelo poder.

Como o designer, Maeda mostrou como a simplicidade se revela quando se utiliza da capacidade da arte para humanizar experiências e produtos.

De acordo com Maeda, a ideia de que quanto mais tecnologia melhor já está superada, visto que somente o progresso tecnológico já não consegue atrair as pessoas para adquirir produtor e serviços.

Leis da Simplicidade

O pensamento de Maeda está resumido em sua obra “Leis da Simplicidade”, onde o autor apresenta diversas regras de como o designer pode valorizar a experiência humana e contribuir para a vida contemporânea.

Em realidade, Maeda levanta mais questionamentos do que respostas para ajudar o leitor a compreender o que é a simplicidade: é algo bom? É melhor do que a complexidade?

Progresso e Simplicidade

Após terminar a obra, Maeda confessou que ficou cansado de tratar sobre simplicidade e foi tirar férias. Mas sua experiência acabou revelando que o mundo gira em torno do que é simples.

Ao ir comprar bermudas para ir viajar, por exemplo, notou que o lema da empresa GAP é sobre “Mantenha a vida simples”.

A marca Visa em uma revista também anuncia seu posicionamento como “Negócios dependem de simplicidade”.

Ao revelar fotografias na Kodak, Maeda viu que a posição da empresa é “Mantenha Simples” e ao ligar a televisão se deparou com o programa da Paris Hilton: “A Vida Simples”.

A atração pelo simples

Ao contrário do que o comum das pessoas pensa a simplicidade atrai mais do que o progresso tecnológico e cabe ao designer mostrar as funções significativas dos novos produtos mais do que a eficiência.

Uma das provas está na tendência de crescimento de livros no mercado visando o público leigo e não os especialistas como, por exemplo, “O guia completo para os idiotas”.

O simples e o humano

Uma pesquisa relevante para Maeda foi em 2001, quando constatou que as buscas no Google por “computador” são maiores do que por “humano”:

  • Computador – 42,3 milhões
  • Humano – 26,8 milhões

No entanto, esta diferença ao longo dos anos está cada vez mais diminuindo, o que mostra uma maior conscientização sobre a importância da vida humana.

Curiosamente, praticamente os mesmos parâmetros se aplicam para os resultados sobre complexidade e simplicidade, sendo um indício da relação que existe entre o simples e o humano.

Visuais complexos com sensibilidade humana

Não pense que o acervo de obras de Maeda são todos sobre a simplicidade. O designer tem diversos gráficos complexos criados em computador, bem como de dimensão gráfico-temporal em séries digitais de calendários.

Sua criatividade inclusive o levou a trabalhar com digitalização de materiais orgânicos que tiveram impacto em sua vida, tais como batata frita, Cheetos e pretzels.

O resultado foi a criação da “batatoletas”, uma composição de forma de borboleta com o fio de cabelo – que às vezes se encontram na comida – para constituir as antenas.

Esta sensibilidade humana é o diferencial da arte de Maeda que procura criar visuais com conteúdo em formas diferentes.

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