É saudável sentir raiva

O pesquisador Ryan Martin apresentou em um TED o processo cognitivo da raiva, com seu desfecho negativo e a necessidade dela para levar uma vida saudável e lutar contra as injustiças.

Saúde
9 meses atrás
É saudável sentir raiva

A importância da raiva

O sentimento de raiva é algo universal e não há quem escape de ter momentos de fúria na vida. Mesmo quando ainda bebê já demonstramos nossa indignação quando temos um objeto ou desejo rejeitado.

O advento da modernidade só fez acentuar mais as situações cotidianas que propiciam perdemos o controle emocional e hoje não faltam terapias ou filosofias de vida que estimulam ao estado zen.

Já para o pesquisador Ryan Martin existem processos cognitivos que explicam a raiva e que justifica inclusive uma dose saudável dela para nossas vidas.

Provocações

De acordo com Martin, a raiva é uma força poderosa e que temos necessidade de senti-la para manter nossa vida saudável e justa.

Em geral, a maioria das pessoas ficam bravas quando provocadas, em situações desagradáveis, quando sentem injustiçadas ou diante de obstáculos que impedem os seus objetivos.

Outra característica da raiva é que os motivos pelos quais sentimos provocados por mais graves que sejam são subjetivos, uma vez que um problema pode afligir muito uma pessoa e para a outra não significar nada.

Estado de pré-raiva

Por outro lado, a raiva não é um sentimento exclusivo das circunstâncias que gostaríamos de ter evitado, pois ela vem acompanhada de outras sensações como do medo ou tristeza.

Deste modo, Martin estabelece um estado de pré-raiva que antecede e desperta mais intensamente os momentos de fúria.

Uma pessoa quando está cansada, por exemplo, facilmente se irrita e as provocações habituais se tornam mais agudas.

O processo da raiva

Seja como for, o fator decisivo para a raiva não são as provações e nem o estado de pré-raiva, mas é o modo como lidamos diante das adversidades.

Dependendo do modo como julgamos as provocações e decidimos o quanto o evento é prejudicial para nossa vida é que despertamos ou não a raiva.

Quando estamos no trânsito dirigindo rumo a um destino tudo parece concorrer contra nosso objetivo: semáforo, motoristas imprudentes, obstáculos na pista, entre outros fatores.

Estes são os momentos que se estabelece a pré-raiva e quando aparece um veículo bem abaixo da velocidade permitida em nossa frente – um anônimo o qual não sabemos nada de sua vida – é que temos que decidir se compensa ter raiva ou é melhor relevar a frustração.

Mas se estivéssemos a caminho de uma oportunidade de emprego a nossa tolerância seria mínima e diversos pensamentos de revolta nos assaltariam, o que é classificado como catastrofização.

Este processo de considerar tudo pelo lado negativo é um dos principais fatores associados à raiva crônica.

Descontrole da raiva

Outro sentimento comum de pessoas em acesso de raiva é a causação atribuída erroneamente, quando queremos atribuir a culpa a alguém ou mesmo um objeto inanimado indevidamente.

Palavras como “nunca” ou “sempre” acabam assumindo o vocabulário do raivoso que tende a generalizar exageradamente o problema e chega até mesmo a culpar a si próprio: “isso sempre acontece comigo!”.

O próximo movimento é o das exigências, quando priorizamos nossas necessidades acima das necessidades dos demais, e em seguida começa a rotulagem inflamatória… os xingamentos.

O fator motivacional da raiva

Durante muito tempo os psicólogos classificaram como distorções cognitivas os pensamentos e atitudes irracionais que nos levam para a raiva.

Mas existem circunstâncias que justificam completamente nossa raiva e são as injustiças no mundo que geram uma indignação coletiva.

Eis a importância da raiva, ela é uma vantagem evolutiva para não sermos indiferentes diante das injustiças e que indica que o limite de tolerância foi ultrapassado.

O resultado é que o cérebro produz uma explosão de energia para enfrentarmos as injustiças: aumento da frequência cardíaca, da respiração, da transpiração e outras reações nervosas.

Trata-se de então de controlar nossas emoções para não agir precipitadamente e canalizar nossa raiva para uma ação mais produtiva e destrutiva do mal que queremos combater.

Não devemos pensar que a raiva é algo errado que não se deve sentir, mas considerá-la como um importante fator motivacional para crescermos na vida, desenvolvermos qualidades para lutar contra as injustiças.

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