As empresas gigantes que não dão lucro

Você investiria em empresas que dão somente prejuízo? Provavelmente a maioria das pessoas dirá que não, mas por incrível que pareça o mercado está cheio de empresas avaliadas em bilhões de dólares e que nunca deram lucro.

Finanças
10 meses atrás
As empresas gigantes que não dão lucro

Empresas bilionárias sem lucro

O DRE (Demonstração de Resultados do Exercício) de uma empresa, divulgado a cada trimestre, costuma ser um indicativo decisivo para se avaliar sua saúde financeira e medir os próximos investimentos.

Mas existem algumas grandes empresas valendo bilhões de dólares que rompem as regras do mercado e registram mais prejuízos do que lucros, entre as quais estão nomes bem conhecidos:

  • Uber
  • WeWork
  • Tesla
  • Spotify
  • Twitter
  • Nubank

Um novo conceito no mercado

Muitas dessas empresas ficaram no vermelho na bolsa dos EUA em 2018, sendo que de acordo com Jay Ritter, professor da Universidade da Flórida, 81% dos IPOs (Oferta Pública de Ações) foram de empresas que não registraram lucros no ano anterior à abertura do capital.

Para o renomado especialista em valuation Aswath Damodaran, professor da Universidade de New York, a razão desta inversão no mercado está na valorização que essas empresas têm como potencial de venda no futuro, o que faz muitas pessoas apostarem neste investimento.

Projetos a longo prazo

A Uber, por exemplo, acredita que no futuro o principal meio de transporte vai ser via aplicativo. Por outro lado, a própria empresa reconhece em seu documento de abertura de capital que talvez nunca chegue a dar lucro.

Mas já existem exemplos de empresas que saíram do vermelho como o Facebook e o Netflix. A Amazon também é uma amostra que esta proposta pode vir a dar certo, uma vez que a empresa só chegou a registrar o primeiro lucro 6 anos após sua abertura de capital em 1997.

Mesmo assim a Amazon permaneceu 14 anos mantendo resultados medíocres até atingir lucros mais expressivos a partir de 2017, embora com números que ainda estão abaixo do seu porte comparado a sua receita.

Investindo para sobreviver

Em realidade, tal como Jeff Bezos fundador da Amazon assume, a estratégia da Amazon, imitado por diversas empresas, é de investir alto para criar sua plataforma de clientes e depois fazer gastos elevados com novas tecnologias para se manter modernizada.

É uma corrida arriscada para atingir o topo, para dominar o mercado, sendo preciso estar continuamente oferecendo incentivos para não perder a base de clientes ou, como no caso da Uber, subsidiando viagens que no final das contas não dão lucro.

Segundo Fabricio Saad, coordenador de cursos de pós-graduação na Escola Superior de Propaganda e Markentig (ESPM), o iFood dispensa sua receita oferecendo diversos descontos, para investir em sua rápida expansão e ter o maior número de usuários na plataforma.

Principais fontes de investidores

É claro que esses modelos de startups para sobreviverem no mercado precisam de diversos investimentos expressivos a cada etapa de seu desenvolvimento e que acabam chegando de três modelos de investidores institucionais:

  • Conjuntos de empresas privadas
  • Famílias com alto patrimônio
  • Fundos de pensão

Em suas etapas iniciais as empresas emergentes para se lançarem mercado contam com o modelo de financiamento conhecido por capital semente, bem como do apoio dos chamados investidores-anjo.

Uma vez levantadas e estabilizadas no mercado, as empresas recebem aportes ainda mais elevados dos fundos de venture capital e que visam sustentar o processo de desenvolvimento.

Já em uma etapa mais avançada, chegam os fundos de private equity com o objetivo da aquisição de uma parte da empresa para a participação do negócio, inclusive das ações da administração.

Lucrando mesmo com prejuízo

Se por um lado, os investidores que fazem a aposta inicial em um startup assumem mais riscos, por outro, tem o potencial de obter retornos maiores quando forem vender sua participação.

Deste modo, embora mais de 100 empresas tenham terminado o ano de 2018 nos EUA com prejuízo nos IPOs, os investidores, por sua vez, chegaram a lucrar milhões de dólares com a venda da participação do negócio.

E ainda que um número de empresas possa realmente quebrar, basta que apenas uma tenha sucesso para que o lucro com a venda seja 80 vezes maior que o capital investido.

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