As bactérias que comem plástico

Que o plástico é uma ameaça ambiental já é de conhecimento de todos, mas a novidade está que a solução do problema pode ser as bactérias. Esta é a proposta da microbiologista Morgan Vague para acabar com o lixo plástico.

Tecnologia
8 meses atrás
As bactérias que comem plástico

A poluição ambiental do plástico

O plástico é um material que está presente em todos os dias de nossa vida devido ao seu baixo custo, praticidade e flexibilidade.

Por outro lado, o uso excessivo de elementos plásticos está gerando um problema ambiental grave, com a contaminação dos mares e o lento processo de degradação.

Cientistas já alertaram que o plástico é a maior ameaça aos oceanos e se nenhuma medida for tomada estima-se que em 2050 ele supere o número de peixes.

Processo de conscientização

Apesar da enorme campanha mundial de conscientização sobre a poluição dos plásticos, apenas se consegue reciclar 9%.

É preciso ter em mente que a durabilidade e resistência do plástico são enormes e o processo de degradação pode levar até 5 mil anos, além dos riscos da liberação de poluentes químicos.

Estamos falando de uma forma de poluição que afeta não apenas a natureza, mas diretamente a nós. As resinas plásticas que utilizam o BPA (Bisfenol A) podem contaminar nossos alimentos e serem ingeridas pela organismo.

A solução com as bactérias

Para acabar com tanto lixo plástico a microbiologista Morgan Vague apresentou em um TEDx uma solução simples, barata, adaptável e que está presente em todo lugar.

Trata-se das bactérias, que podem ser desenvolvidas para se alimentarem de plástico e reverterem a alta escala de poluição ambiental no mundo.

Por mais que nós homens produzimos 300 milhões de toneladas de plástico todo ano, os pesquisadores estimam que existam 5 milhões de trilhões de trilhões de bactérias em todo o planeta.

A questão seria apenas encontrar uma maneira de direcionar o modo criativo das bactérias se alimentarem para começarem a comer plástico.

O protocolo de Vague

Com efeito, Vague se dedicou por anos a pesquisar como as bactérias sobrevivem em ambientes de grande poluição plástica, como acontece em Houston, Texas.

Depois de coletar amostras do solo repletas de bactérias, Vague desenvolveu um protocolo para criar uma única fonte de alimento ou carbono para esses micros organismos.

O material escolhido foi o plástico mais produzido no mundo, o polietileno tereflalato que constituem as garrafas PET.

O resultado desta dieta obrigatória de plástico PET foi a descoberta de uma classe de bactérias que sobreviveram e prosperaram ao experimento.

A digestão do plástico nas bactérias

De acordo com Vague, algumas bactérias são capazes de alimentarem exclusivamente de plástico para obterem a energia necessária para sobreviverem.

O processo de digestão do plástico PET nas bactérias funcionou através de enzimas que estão presentes em todos os seres vivos.

A enzima amilase, por exemplo, está presente nos homens e transforma a digestão de alimentos como o pão e outros amidos complexos em energia.

Já as bactérias que tem a enzima lipase conseguem transformar o plástico em pequenos pedaços de açúcar como fonte de energia.

A esperança para o fim do lixo plástico

Como as atuais medidas de controle e reciclagem do plástico não são suficientes, a proposta de Vague é utilizar as bactérias para reduzir este lixo ambiental.

Embora a solução bacteriana possa gerar dúvidas, Vague alerta que o risco das bactérias que se alimentam de plástico contaminarem o ambiente e se transformarem em uma espécie nova de cupim é nula.

A razão é que as bactérias salvadoras não são criações modificadas geneticamente, mas já estão presentes no meio ambiente.

Devido ao alto poder de adaptação, as bactérias naturalmente desenvolvem a capacidade de se alimentarem de plástico.

A dificuldade da pesquisa de Vague é que o processo de digestão do plástico nas bactérias é extremamente vagaroso.

Por ora, um dos meios encontrados de aceleração são por meio de uma série de pré-tratamentos com ultravioleta ou UV.

Resta ainda desenvolver em escala industrial um sistema controlado livre de carbono, onde as bactérias possam ser alojadas tendo como única fonte de alimento o lixo plástico.

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