A civilização precisa repensar sua existência

O filósofo Nick Bostrom fez um alerta para que o desenvolvimento das tecnologias não se torne uma arma de destruição global. Esta reflexão nos leva a reavaliarmos os conceitos de existência de nossa civilização para garantirmos um futuro pacífico.

Tecnologia
3 meses atrás
A civilização precisa repensar sua existência

O mundo vulnerável

Nunca o mundo evoluiu tanto e tão rápido em matéria de tecnologias como nos últimos 100 anos. Por outro lado, existe um grande risco de que as próprias invenções humanas se voltem contra nós.

É o que acredita o filósofo Nick Bostrom, que em um TED com a participação do intermediador Chris Anderson lançou sua tese sobre “A Hipótese do Mundo Vulnerável”.

O risco da invenção destrutiva global

Bostrom apresenta sua hipótese ilustrando com a metáfora da urna, onde a humanidade tem sacado ao longo dos séculos diversas bolas brancas, algumas cinzas, e que representam o enorme conteúdo positivo das invenções humanas.

Acontece que o homem não chegou ainda a sacar a bola preta que pode desencadear consequências catastróficas para a civilização que a descobre, caso a humanidade não abandone sua condição semianárquica padrão.

O lado negro das descobertas tecnológicas

Em realidade, a humanidade está especializada em tirar bolas da urna descobrindo novas tecnologias, mas não sabe como devolver algumas dessas bolas que podem ser nocivas.

Talvez possa se dizer que até hoje tivemos sorte em não se autodestruirmos, uma vez que algumas das invenções descobertas já eram inteiramente negras sem nos darmos conta.

O filósofo cita como Isaac Newton, por exemplo, já tinha essa consciência quando disse que o “progresso da mecânica trará a Bomba-H”.

A dificuldade é que não sabemos medir todas as consequências que mesmo as invenções básicas podem nos conduzir.

Pontos vulneráveis da civilização

Como não é possível desinventar algo a humanidade tem agido com a esperança de que não haja uma bola preta na urna, o que na verdade já aconteceu diversas vezes em nossa história.

De acordo com Bostrom, mesmo nossa civilização com todo seu desenvolvimento tem vários modos de vulnerabilidades, entre os quais estão diversas tecnologias que tem um alto poder de destruição:

  • Biologia sintética
  • Geoengenharia
  • Drones autônomos letais
  • Nanotecnologia
  • Inteligência artificial

A sorte da nossa existência

Para o filósofo foi questão de sorte que a invenção da bomba esteja relacionada com o poder nuclear que não é algo acessível a qualquer a um.

O enriquecimento do plutônio e do urânio necessita de reatores, ultracentrifugadoras e enormes quantidades de energia para produzir o efeito da bomba.

Mas se fosse possível desbloquear a energia dos átomos, por exemplo, cozinhando areia no micro-ondas certamente a detonação nuclear já teria ocorrido.

A questão é que até a invenção da bomba não se tinha certeza científica de que o material necessário para reações nucleares fosse complexo.

Por outro lado, o pode destrutivo da bomba nuclear acabou desencadeando certa estabilidade, pois qualquer potência mundial que iniciasse a detonação poderia produzir um efeito em escala.

Os tratados militares seriam muito mais complicados sem a existência de um poder de destruição em massa.

A solução para a humanidade

Embora seja no campo da hipótese, Bostrom acredita que haja muitas bolas escuras na urna ainda e ao mesmo um número correlato de bolas douradas.

Estaríamos diante um relativo determinismo tecnológico, onde os aspectos positivos e negativos se somassem para manter a ordem na civilização.

Mas como tudo depende do modo que aplicamos determinada tecnologia e não em sua descoberta propriamente dita, a solução para a humanidade está em desenvolver tecnologias de controle.

Não se trata de suprimir o desenvolvimento tecnológico, o que seria um imenso retrocesso, mas de realizar um policiamento preventivo com possibilidade de intervenção.

Deste modo, a ideia de uma governança global ou vigilância da massa sejam as únicas formas que temos para mantermos nossa existência.

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